Durante muitos anos, quando eu pensava e falávamos sobre a empresa do futuro, imaginávamos uma organização cada vez mais tecnológica, cheia de gente altamente técnica, capacitada e certificada. Sistemas integrados, automação, inteligência artificial, dados em tempo real, robôs, agentes e processos praticamente autônomos. Tudo isso está acontecendo. E provavelmente acontecerá muito mais rápido do que imaginamos.
Mas existe uma diferença importante entre ter tecnologia e estar preparado para o futuro.
A inteligência artificial permitirá que pequenas empresas operem com uma capacidade que antes pertencia apenas às grandes corporações. Agentes poderão executar tarefas, analisar milhares de informações, conversar com clientes, desenvolver sistemas e apoiar decisões em questão de segundos. O ganho de produtividade será extraordinário. Entretanto, conforme a tecnologia se tornar acessível a todos, ela deixará progressivamente de ser o principal diferencial competitivo.
Se todos puderem utilizar praticamente as mesmas ferramentas, a diferença estará em quem utiliza essas ferramentas, para quê e com quais valores.
Por isso, acredito que a empresa do futuro será uma combinação de tecnologia, pessoas, cultura e liderança. E foi também por isso que levei João Kepler e meus líderes para o palco comigo no evento de 18 anos da VARITUS. Precisamos estar alinhados sobre o futuro que queremos construir e, ao mesmo tempo, conscientes da responsabilidade que temos com as pessoas que caminham conosco. A empresa terá inteligência artificial executando processos, mas continuará precisando de pessoas capazes de fazer perguntas melhores. Terá dados disponíveis instantaneamente, mas continuará precisando de líderes para tomar decisões. Terá automação, mas dependerá de cultura para definir como agir quando nenhum algoritmo tiver a resposta completa.
Foi justamente essa reflexão que procurei apresentar quando falamos sobre o próximo ciclo da VARITUS. Não estamos imaginando apenas uma empresa com mais IA. Estamos construindo uma empresa em que a tecnologia amplifica aquilo que existe de melhor nas pessoas. Uma empresa capaz de utilizar inteligência artificial para entregar mais velocidade, inteligência e eficiência, sem perder proximidade, confiança e propósito.
Talvez uma das grandes mudanças dos próximos anos esteja aí. Durante muito tempo, contratamos pessoas para executar processos. Agora, cada vez mais, máquinas executarão processos, e precisaremos de pessoas para pensar, criar, liderar, relacionar, interpretar e decidir. Isso muda profundamente a maneira como estruturamos empresas e, principalmente, como desenvolvemos líderes.
A empresa do futuro, portanto, não será apenas uma empresa de tecnologia. Será uma organização capaz de unir inteligência artificial e inteligência humana, eficiência e consciência, velocidade e direção.
Porque a tecnologia poderá transformar praticamente qualquer processo. Mas ainda serão as pessoas que decidirão o que merece ser transformado, e, principalmente, em que direção queremos seguir.
