Adão Lopes

Depois dos 18 anos, começa um novo ciclo

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Adão Lopes

14 Set 2026 · 4 min de leitura

Depois dos 18 anos, começa um novo ciclo

Chegar aos 18 anos de uma empresa é motivo para celebrar. Mas, depois da noite em que reunimos clientes, empresários, amigos, parceiros, colaboradores e tantas pessoas que fizeram parte da nossa história, uma pergunta permaneceu comigo: o que faremos com tudo o que construímos até aqui? Comemorar o passado é importante. Permanecer olhando para ele, não. Para mim, os 18 anos da VARITUS não representam uma linha de chegada. Representam uma nova largada. Talvez por isso tenha feito tanto sentido a provocação de João Kepler em sua palestra magna: é hora de olhar para o que vem depois.

Foram anos construindo tecnologia, produtos, relacionamentos, conhecimento e reputação. Erramos, aprendemos, crescemos, atravessamos crises e vimos a tecnologia transformar completamente o mercado em que atuamos. Agora estamos diante de uma mudança provavelmente maior do que todas as anteriores. A inteligência artificial está alterando não apenas a forma de trabalhar, mas a própria lógica de funcionamento das empresas.

Por isso, acredito que o próximo ciclo não pode ser apenas sobre software. Precisa ser sobre inteligência. Inteligência aplicada aos negócios, às decisões, aos processos e, principalmente, às pessoas. A tecnologia será cada vez mais capaz de executar, analisar, aprender e produzir. Aos líderes caberá uma responsabilidade ainda maior: escolher a direção. IA potencializa. Pessoas transformam.

Um dos momentos mais marcantes do evento aconteceu quando meu filho mais velho, André Lopes, subiu ao palco. André tem dificuldades espaciais e visuais e, utilizando um agente de inteligência artificial, conseguiu emitir uma nota fiscal eletrônica simplesmente fazendo um pedido pelo WhatsApp. Para quem assistia, poderia parecer apenas uma demonstração de tecnologia. Para mim, havia 18 anos de história naquela cena.

Quando comecei a VARITUS, André muitas vezes ficava deitado no tapete ao meu lado enquanto eu passava noites escrevendo, testando e validando os primeiros projetos da empresa. Dezoito anos depois, ele estava no palco utilizando, de maneira simples e autônoma, uma tecnologia que nasceu daquela trajetória. Hoje, vende seus livros, compartilha suas experiências e participa da divulgação de uma tecnologia que, de alguma maneira, também ajudou a construir conosco ao longo desses anos.

Há ainda um ritual que permanece entre nós. Todos os dias, às 5 horas da manhã, fazemos nossa daily para organizar agendas, prioridades e pensamentos. Às 19 horas, fazemos uma retrospectiva do dia. Esse ritual continuará. Porque olhar para o futuro não significa abandonar aquilo que nos trouxe até aqui. Há coisas que precisam mudar para que possamos avançar. E há coisas que precisam permanecer porque sustentam quem somos.

Acredito que entramos em uma fase em que as empresas precisarão ser, ao mesmo tempo, mais tecnológicas e mais humanas. A inteligência artificial pode potencializar produtividade, conhecimento, velocidade e escala, mas são as pessoas que constroem confiança, cultura, relacionamentos e significado. A tecnologia pode acelerar uma organização. Somente pessoas conscientes conseguem decidir para onde ela deve ir.

Esse também é um novo ciclo para mim como fundador. Depois de tantos anos preocupado em construir uma empresa, penso cada vez mais em construir um ecossistema: compartilhar conhecimento, formar líderes, acompanhar empresários, investir em pessoas, desenvolver novas soluções e preparar a próxima geração. Quero transformar experiência acumulada em algo que continue produzindo valor mesmo quando eu não estiver mais no centro da operação.

Talvez esse seja um dos maiores aprendizados desses 18 anos: o verdadeiro legado de um fundador não é aquilo que ele controla, mas aquilo que continua crescendo sem depender exclusivamente dele. Por isso, começo hoje uma nova série de artigos sobre inteligência artificial, liderança, cultura, empreendedorismo, sucessão, família, equilíbrio, longevidade empresarial e legado. Os primeiros 18 anos construíram uma história. Agora começa o ciclo de transformar essa história em futuro.