A próxima revolução não será conversar com a inteligência artificial. Será permitir que ela participe da operação das empresas.
Nos últimos anos, grande parte das pessoas conheceu a inteligência artificial por meio dos LLMs — os grandes modelos de linguagem. Descobrimos que uma máquina poderia escrever, resumir, traduzir, programar, analisar documentos e manter conversas surpreendentemente sofisticadas. Foi uma mudança enorme. Mas começo a acreditar que estamos cometendo um erro ao confundir essa primeira experiência com aquilo que a inteligência artificial realmente poderá representar para as empresas.
LLMs foram apenas o começo. A verdadeira transformação acontece quando deixamos de utilizar a IA somente para gerar respostas e começamos a conectá-la aos sistemas, aos dados e aos processos das organizações. Nesse momento, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de consulta e passa a participar efetivamente da operação.
Imagine um empresário que não precise mais entrar em cinco sistemas diferentes para descobrir o que está acontecendo em sua empresa. Ele simplesmente pergunta: “Como estão nossas vendas hoje?”, “Quais clientes apresentam maior risco?”, “Onde estamos perdendo margem?” ou “Quais fornecedores precisam ser renegociados?”. A inteligência artificial consulta os sistemas, cruza os dados, interpreta as informações e apresenta não apenas uma resposta, mas contexto para uma decisão.
O próximo passo é ainda mais importante: a IA não apenas responder, mas executar. Um cliente VARITUS pode solicitar uma nota fiscal pelo WhatsApp. A inteligência artificial entende o pedido, busca as informações necessárias, aplica as regras tributárias, aciona sites e sistemas responsáveis pela emissão, verifica o resultado e devolve o documento pronto ao cliente. A conversa é apenas a interface. Por trás dela, existem agentes, integrações, regras de negócio, dados e sistemas trabalhando juntos.
É justamente aqui que acredito que muitos modelos tradicionais de software começarão a ser questionados. Durante décadas, construímos sistemas baseados em menus, telas, campos e botões. O usuário precisava aprender como o software funcionava para conseguir executar uma tarefa. Agora podemos inverter essa lógica: o sistema começa a aprender como o usuário trabalha. A linguagem natural poderá se transformar na nova interface entre pessoas e tecnologia.
Mas isso não significa o fim dos sistemas empresariais. Significa uma mudança muito mais profunda em sua arquitetura e em seu papel. ERPs, plataformas fiscais, CRMs, bancos de dados e aplicações continuarão sendo fundamentais. Porém, cada vez mais, poderão operar como infraestrutura por trás de uma camada inteligente capaz de compreender intenções, coordenar ferramentas e transformar uma solicitação humana em execução.
É por isso que tenho repetido que as empresas precisam ir além de simplesmente “usar o ChatGPT”. A discussão estratégica não é qual ferramenta de IA utilizar hoje. É compreender quais processos da empresa poderão ser redesenhados quando inteligência, dados e capacidade de execução estiverem conectados. Atendimento, vendas, fiscal, financeiro, logística, compras e gestão poderão funcionar de maneiras completamente diferentes.
Na VARITUS, essa reflexão já faz parte do próximo ciclo que estamos construindo e está presente em nossas reuniões estratégicas e mensais. Depois de 18 anos desenvolvendo tecnologia fiscal, não queremos apenas adicionar inteligência artificial aos produtos existentes. Queremos repensar a relação entre pessoas, documentos fiscais, regras tributárias e sistemas. Para mim, o futuro não está simplesmente em colocar IA dentro do software. Está em construir uma nova maneira de operar, utilizando a IA como parte da arquitetura do negócio.
Os LLMs nos ensinaram que máquinas podem compreender nossa linguagem. Agora começaremos a descobrir o que acontece quando elas também conseguem acessar ferramentas, interpretar contexto e participar da execução. A conversa foi a porta de entrada. A transformação das empresas começa depois dela, com os agentes de IA fazendo parte da estratégia do negócio.
