Adão Lopes

Uma mensagem aos meus mentorados

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Adão Lopes

09 Set 2026 · 5 min de leitura

Uma mensagem aos meus mentorados

Mentoria nunca foi, para mim, sobre ter todas as respostas.

Jesus, como Filho de Deus, também nos mostrou que nem todas as respostas precisam estar disponíveis de imediato. Mas nós, humanos, insistimos em querer tê-las.

Talvez mentoria seja justamente o contrário.

É sobre ajudar alguém a fazer perguntas melhores, enxergar aquilo que a rotina esconde e encontrar clareza suficiente para tomar as próprias decisões.

Ao longo dos últimos anos, tive o privilégio de caminhar ao lado de empresários, executivos e líderes em diferentes momentos de suas jornadas.

Alguns pós-graduados. Outros mal terminaram os estudos e já lideravam pessoas e empresas.

Alguns estavam começando um novo ciclo. Outros atravessavam momentos difíceis. Alguns buscavam crescimento. Outros já haviam conquistado muito, mas perceberam que resultado, sozinho, já não era suficiente.

E existe algo que quero dizer a todos vocês.

Eu também aprendo em cada uma dessas conversas.

Como mentor e como mentorado.

Perceber nosso próprio mentor fragilizado diante de uma situação, de uma dificuldade ou até de um momento de descontrole também pode ser uma experiência de descoberta. Novamente me lembro de alguns momentos de Jesus da Galileia: humanidade, vulnerabilidade, dor, reflexão e direção.

Quando um mentorado compartilha comigo seus medos, seus conflitos, seus sonhos, suas decisões difíceis e até aquilo que não costuma contar para mais ninguém, existe uma responsabilidade muito grande envolvida.

Porque por trás de cada empresa existe uma pessoa.

Por trás de cada CNPJ existe alguém tentando cuidar de colaboradores, clientes, fornecedores, família, patrimônio, saúde e futuro ao mesmo tempo.

Empreender pode ser muito solitário.

Eu sei disso porque também sou empresário.

Sei o que significa tomar decisões sem ter todas as informações. Digo isso pelo evento de 10 de setembro agora com propriedade.

Sei o peso de uma folha de pagamento.

Sei o que é colocar patrimônio, reputação e anos de trabalho em risco.

Sei como é chegar em casa depois de um dia difícil e tentar não levar para a família o peso que carregamos dentro da empresa.

Por isso, quando converso com um mentorado, nunca quero ocupar o lugar daquele que sabe mais.

Quero ocupar o lugar daquele que consegue caminhar ao lado.

Minha mãe mal sabia ler e, ainda assim, passava horas ao meu lado enquanto eu estudava nas tardes de domingo.

Às vezes, pegava um caderno.

Lia alguma coisa.

Olhava para mim.

E continuava ali.

Talvez ela nunca tenha percebido, mas me ensinou uma das maiores lições sobre mentoria que carrego comigo até hoje:

presença também ensina.

Às vezes, minha função é provocar.

Em outras, organizar.

Algumas vezes, mostrar uma possibilidade que ainda não estava sendo percebida.

E existem momentos em que talvez o mais importante seja simplesmente ouvir.

Com o passar dos anos, percebi que boas mentorias raramente mudam uma empresa primeiro.

Elas mudam o empresário.

Quando muda a forma como ele pensa, muda a maneira como decide.

Muda também a maneira como enfrenta a insegurança, atravessa o caos e responde aos problemas que se apresentam.

Quando muda a maneira como decide, muda sua empresa.

E quando muda sua empresa, muitas outras vidas também podem ser impactadas.

É por isso que tenho insistido tanto em temas como liderança, consciência, tecnologia, cultura, família, saúde, propósito e legado.

Não acredito mais que seja possível separar completamente essas dimensões.

E não existe uma direção única para todos os mentorados.

Para cada pessoa, existe uma necessidade.

Às vezes, precisamos olhar para o negócio.

Em outras, para a saúde.

Em outras, para a família.

Porque quando uma dessas dimensões muda, inevitavelmente as outras também serão impactadas.

O empresário é uma pessoa inteira.

E empresas melhores começam, quase sempre, com líderes melhores.

Estamos entrando em um período extraordinário.

A inteligência artificial vai aumentar nossa capacidade de produzir, analisar, decidir e executar.

Teremos ferramentas que farão em minutos aquilo que hoje leva horas ou dias. Aliás, já temos.

Mas talvez o maior desafio dos próximos anos não seja aprender a utilizar inteligência artificial.

Será aprender o que fazer com o tempo, a capacidade e o poder que ela vai nos devolver.

Eu mesmo tenho tantas coisas que ainda quero fazer com esse tempo que será poupado.

Porque tecnologia potencializa.

Mas direção continua sendo responsabilidade humana.

Aos meus mentorados, meu pedido é simples:

Não utilizem conhecimento apenas para crescer.

Utilizem-no para se tornarem melhores.

Melhores empresários.

Melhores líderes.

Melhores pais e mães.

Melhores filhos.

Melhores amigos.

Melhores seres humanos.

Construam empresas fortes, sim.

Ganhem dinheiro.

Criem patrimônio.

Cresçam.

Inovem.

Porque é difícil argumentar contra resultados consistentes.

Utilizem inteligência artificial.

Mas não permitam que nenhuma conquista empresarial custe aquilo que deveria ser a razão de tudo isso.

Sua saúde.

Sua família.

Sua paz.

Seu caráter.

Sua presença.

Seu legado.

Talvez, daqui a muitos anos, ninguém se lembre exatamente do faturamento de nossas empresas, do tamanho dos nossos escritórios ou dos indicadores que acompanhávamos diariamente.

Mas certamente algumas pessoas se lembrarão de como se sentiram trabalhando conosco, convivendo conosco ou sendo lideradas por nós.

No final, liderança sempre deixa marcas.

A pergunta é:

quais marcas estamos deixando?

Se, em algum momento de nossas conversas, eu consegui ajudar você a enxergar um pouco melhor o caminho, fico profundamente grato.

Mas saiba também que cada conversa ajudou a construir o empresário, o mentor e o homem que continuo tentando me tornar.

Mentoria nunca foi uma via de mão única.

Seguimos aprendendo juntos.

E talvez essa seja uma das partes mais bonitas dessa jornada.

Antes de transformar empresas, precisamos continuar permitindo que a jornada transforme a nós mesmos.

Adão Lopes

Empresário, mentor, investidor, filho, pai, avô, triatleta amador, cavaleiro e fundador da VARITUS Brasil